Guia Afetivo da cidade


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Redescobrindo Porto Alegre


Sinto uma dor infinita

Das ruas de Porto Alegre

Onde jamais passarei…

(Mario Quintana)


Depois de quase dois anos em casa e interagindo por telas, lentamente voltamos às ruas. No ano em que o Porto Alegre Em Cena, um festival naturalmente aglomerante, completa 28 edições (seria o Retorno de Saturno dando as caras no Mapa Astral do Festival?), seu projeto curatorial apresenta um perfil que vinha se transformando nos últimos anos, mas que agora revela de fato uma nova proposta: o Em Cena não abre mão do amado palco italiano e a caixa cênica, mas expande para as telas, as galerias, as paredes dos prédios, as ruas e todos os espaços que abrirem suas portas (e janelas) para recebê-lo. O cruzamento de linguagens artísticas, a aproximação com as artes visuais, um andar de braços dados com propostas que se alinhem acima de tudo com a arte que está sendo produzida nos dias de hoje.


Voltamos para a cidade, mas reconhecemos esse lugar onde vivemos? A cada saída para um trabalho presencial, um encontro com alguém, um compromisso qualquer, olhamos para locais antes tão familiares e os estranhamos: aquele restaurante que fechou, aquele café que teve que se adaptar e colocar mesas na rua, o desafio de encontrar um espaço novo de trabalho presencial que comporte uma equipe e seja seguro sanitariamente. É uma cidade muito diferente daquela que deixamos para trás quando, em março de 2020, entramos em casa pensando que em poucas semanas estaríamos de volta. Que cidade é essa? Será que realmente conhecíamos Porto Alegre, mesmo antes da pandemia?


Com o tema “Existe uma cidade sobre nós” e questões sobre memória, ancestralidade, pertencimento e a própria cidade em si, o Em Cena retoma, da maneira que se achou possível, ao presencial. Tivemos a ideia de desdobrarmos o tema e a nossa própria relação com a cidade através de um Guia Afetivo de Porto Alegre. O recorte: as memórias, os afetos, as nossas conexões com o espaço físico que tanto nos fez falta nesses meses todos em que nossa casa virou o mundo todo. E já que o afeto pauta esse roteiro, provocamos você leitore a acompanhar uma turma incrível de amigos do festival que criaram conosco esse Guia: são dicas, depoimentos, conteúdos especiais para inspirar cada pessoa que acesse esse material a olhar para Porto Alegre com outros olhos e, quem sabe, se aventurar a descobrir um novo cantinho até então desconhecido para chamar de seu.


Apesar de todas as agruras que encontramos nesses dias, esse Guia Afetivo é a tentativa de trazer, juntamente com todas as atividades do festival, um respiro e um alento. Que o afeto e a memória, ao lado da Arte, sejam combustível para seguirmos em frente.


Esperamos que vocês gostem e que esse guia inspire vocês a se aventurarem pelas ruas da cidade.